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De freira humorista a apresentadora sem limites: os personagens que mantêm Octávio Mendes em cena há mais de 20 anos

28/03/2026

Em entrevista ao Mural Interativo, após apresentação em Sorocaba, o ator e humorista revela como criou personagens que sobrevivem à passagem do tempo e por que a maquiagem da Irmã Selma definiu o rumo de todo o espetáculo.

| Por Fábio Duran e Caroline Moraes

Octávio Mendes subiu ao palco da Black House, em Sorocaba, com cinco personagens, trocas de roupa em tempo recorde e uma plateia que já sabia de cor cada bordão. O que poderia parecer rotina é, segundo o próprio ator, uma estreia a cada noite.

“Cada público é um e é sempre uma novidade para mim”, afirmou Mendes, em entrevista ao Mural Interativo logo após o espetáculo. A frase resume bem a filosofia que ele aplica ao trabalho há mais de vinte anos — desde que os personagens ganharam vida no Terça Insana, projeto de comédia criado por Grace Gianoukas em 2001, em São Paulo, que marcou o humor nacional ao apostar em cenas criativas, personagens originais e sátiras do cotidiano.

“Tudo é existencial, porque medo você tinha em 1977 e tem em 2026. Afeto, raiva você tinha em qualquer época. Então, não envelheceu.”

A comédia apresentada, escrita e dirigida por Otávio Mendes, traz personagens como: Mônica Goldstein, a apresentadora de um programa sensacionalista, Walmir, um ex-gay, a aspirante a cantora Xanaína, Maria Botânica, uma atriz e cantora, além da Irmã Selma, uma freira humorista (quem têm pouucas).

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A lógica da maquiagem

Quem imagina que a reunião de personagens femininos no espetáculo tenha nascido de uma escolha artística sofisticada vai se surpreender com a resposta de Octávio Mendes. A razão é, no fundo, bem prática.

Foi o comediante Ary Toledo quem sugeriu que o ator juntasse suas cenas em um show solo. O problema era técnico: a maquiagem da Irmã Selma, personagem mais famosa e carro-chefe do Terça Insana, demandava cerca de vinte minutos para ser removida. Iniciar o espetáculo com ela e depois trocar para outros personagens exigiria intervalos longos o suficiente para quebrar o ritmo da apresentação.

A solução foi selecionar apenas os personagens que pudessem compartilhar a mesma base de maquiagem. Perucas e roupas, diz ele, são fáceis de trocar. A base, não.

“Tive que catar os personagens que podiam usar essa maquiagem, porque peruca e roupa eu troco, maquiagem não dá.”

O resultado é um espetáculo em que cinco figuras distintas dividem o mesmo rosto e a mesma maquiagem, mas carregam histórias e críticas sociais completamente diferentes.

Personagens como espelho social

Mendes reconhece que cada personagem nasceu de uma inquietação pessoal. O ex-gay, por exemplo, foi criado a partir da frustração de ver pessoas negando a própria identidade por pressão social.

“Eu ficava muito chateado de ver a pessoa não ter coragem de ser ela mesma, porque ela vai ser infeliz, não vai mudar. Se achar que não quer ser mais gay, está bom, mas vai continuar sendo porque é da sua essência.”

Já a apresentadora sensacionalista nasceu da observação dos programas que prosperam na desgraça alheia. Ele admite que acha graça do formato de programa, mas deixa claro que a personagem é uma crítica.

“Eles não têm limite, sabe? Quanto pior, melhor”, disse, referindo-se ao gênero televisivo. A personagem, segundo ele, foi inspirada na apresentadora Márcia Goldsmith.

Clássico não se muda

Ao longo dos anos, Mendes experimentou alterar trechos do roteiro para testar a reação do público. O resultado foi imediato: ao final do espetáculo, fãs esperavam nos corredores para perguntar por que ele havia mudado algo.

A experiência o convenceu de que o texto original não deve ser alterado. Para explicar o raciocínio, ele recorre a uma analogia musical.

“Sou fã dos Beatles. Eu vou no show, eu não quero Yesterday em ritmo funk. Eu quero igual eu tenho em casa, igual eu conheço, é por isso que eu paguei para estar lá.”

Segundo Mendes, a percepção do público em relação aos personagens não mudou desde a criação. A Irmã Selma, a mais conhecida, continua sendo recebida da mesma forma. E a plateia chega ao teatro já preparada para os bordões clássicos.

Novas peças no horizonte

Para além do espetáculo atual, Octávio Mendes confirmou que três novas peças estão em desenvolvimento. Os detalhes, porém, ficam guardados a sete chaves.

“Não vou contar a ideia original e mandar de presente”, afirmou, com bom humor. A recepção do público ao seu espetáculo, segundo ele, não difere de qualquer outra cidade do país, de Manaus a Porto Alegre a animação é a mesma. Já tem de cor os momentos em que a plateia rirá.

Para Mendes, isso não é coincidência. É a prova de que personagens construídos a partir de temas cotidianos dispensam atualização. O tempo passa. A plateia ri do mesmo jeito.

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